segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Irradiação de alimentos

Não é de hoje que a irradiação de alimentos deixa as pessoas apreensivas. Os alimentos que passam por este processo podem interferir na saúde dos consumidores? Como ele funciona? O professor Fábio da Costa Henry, do Laboratório de Tecnologia de Alimentos (LTA) da UENF, que orienta uma pesquisa sobre o assunto, nos explica a técnica utilizada e acaba com os boatos que circulam por aí:

— O objetivo dessa tecnologia nada mais é do que preservar os alimentos para que durem mais. Com uma dose controlada de radiação, as bactérias presentes nos alimentos sofrem uma mutação em seu DNA e morrem. Com isso, aumenta o tempo de prateleira dos alimentos.

 Foi o professor Fábio quem deu início às pesquisas com irradiação de alimentos na UENF, com a colaboração da professora Daniela Barros de Oliveira, que também atua no LTA. O foco de suas pesquisas é a irradiação em carnes e derivados. Segundo Fábio, as carnes contêm uma grande quantidade de água e gordura, o que contribui para a formação do ‘ranço oxidativo’, que além de causar a perda de qualidade do alimento pode comprometer a saúde do consumidor. Mas os professores estudam o uso de antioxidantes naturais, que minimizam o efeito negativo da irradiação em carnes e derivados.

 O professor garante que o processo de irradiação não causa a perda de nutrientes. Ele observa que o processo é feito à temperatura ambiente, não alterando, assim, o valor nutricional do alimento.

 — A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) criou uma legislação segundo a qual todos os alimentos que recebem a irradiação, antes de chegarem às prateleiras dos mercados, devem passar por uma análise microbiológica e, depois, uma análise sensorial, na qual são avaliadas as suas condições. Assim, não corremos o risco de comprar alimentos com alterações como gosto amargo ou até a perda de nutrientes — explica Fábio, lembrando que todo alimento irradiado ou que contenha ingredientes que passaram por esse processo deve ter uma identificação no rótulo.        
       
Símbolo de produtos irradiados
 Segundo Fábio, no Estado do Rio de Janeiro só há dois lugares que possuem o equipamento necessário para realizar o processo de irradiação. Um fica no Centro Tecnológico do Exército (Ctex) e o outro na Coppe/UFRJ. As pesquisas também contam com a participação do aluno de doutorado Felipe Roberto Ferreira Amaral do Valle, do Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal. O professor Fábio Henry também está envolvido em um Projeto de Extensão no qual serão ministrados cursos para açougueiros e manipuladores, ensinando-os a manipular e conservar melhor as carnes, respeitando as condições de higiene. Com isso, ele procura reduzir o risco de intoxicação alimentar, que muitas vezes é causada pela má conservação e manipulação dos alimentos.

Rafaella Dutra 

Um comentário:

  1. Isso aí prof. Fábio. Veterinária na cabeça!!!

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