terça-feira, 24 de março de 2015

Coluna Nutrição - Cromo: o mineral que está na moda




Cromo: o mineral que está na moda

Luiz Fernando Miranda da Silva e Karla da Silva Ferreira

Já está comprovado que o cromo é importante para a normalização da taxa de glicose no sangue (1, 2, 3), e há estudos indicando que pode ser importante para a síntese de proteínas musculares (4,5).
Comumente encontrado na natureza, o cromo se apresenta em dois principais estados de oxidação: o Cr+6 e o Cr+3. O Cr+6 é tóxico ao ser vivo e abundante em água e solo contaminado com resíduo industrial. O Cr+3, porém, naturalmente presente nas células animais, exerce nelas o efeito potencializador da ação da insulina, resultando em melhor captação de glicose sanguínea (4). Em humanos foi comprovado que a ausência de cromo na dieta de pessoas saudáveis eleva o nível de glicose no sangue acima da faixa de normalidade (99 mg/dL) (5,6), que, por sua vez, retorna aos valores normais após a ingestão regular do mineral (5).
Sabendo de sua importância à saúde, o Comitê de Nutrição dos EUA (Food Nutrition Board) estabeleceu, em 1989, que a ingestão diária de 35 microgramas seria suficiente para evitar aumentos indesejados de glicose no sangue em pessoas sem doenças e em adequado estado nutricional. Com base nesta recomendação, o Comitê considerou que, pelo menos, 50% da população teriam suas necessidades nutricionais de cromo atendidas. O ideal seria que houvesse uma recomendação que atendesse quase toda a população, no entanto, seriam necessários mais estudos sobre a função deste nutriente e se o mesmo é consumido habitualmente pelas pessoas. Sem estas pesquisas, fica impossível determinar a quantidade de cromo que certamente prevenirá a deficiência nutricional de indivíduos saudáveis (7).

Embora este mineral seja estudado há quase um século, foi a partir da década de 90 que as investigações de suas funções metabólicas ganharam mais notoriedade em função de novas descobertas, por exemplo, o favorecimento à síntese de proteína muscular (4). Por conta disto, pesquisas sobre o teor de cromo nos alimentos ganharam mais importância a partir de 2001, principalmente na Europa. Com base em alguns estudos, cientistas adquiriram mais conhecimento sobre a quantidade de cromo ingerida pela população, e se isto seria o suficiente para prevenir doenças, como o diabetes tipo II (11, 12,13, 14). Contudo, a hipótese de deficiência nutricional de cromo não está rechaçada na maioria dos países, em função do pouco conhecimento produzido no que tange à presença deste micronutriente nos alimentos.
Mesmo sem conhecimento sobre composição nutricional de alimentos e ingestão dietética de cromo, muitas empresas do ramo alimentício comercializam suplementos enriquecidos com cromo prometendo emagrecimento, ganho de músculos e melhor desempenho físico (16). No entanto, ainda não existem estudos que permitam confirmar este efeito.
Tendo em vista a escassez de estudos sobre este mineral no Brasil, pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Laboratório de Tecnologia de Alimentos) quantificaram o teor de cromo em 200 tipos de alimentos consumidos no país (17). Na tabela abaixo, encontra-se o teor em alguns alimentos ricos em cromo. Tendo ciência destes resultados, é possível estimar a quantidade de cromo consumida pela população, saber se atende à recomendação nutricional (35 μg de Cr/dia), além de servir como base para novas diretrizes. 




Referências bibliográficas

1. VINCENT. J. (2013). A. Sigel, H. Sigel, and R.K.O. Sigel (eds.), Interrelations between Essential 171 Metal Ions and Human Diseases, Metal Ions in Life Sciences 13.
2. BROWN R O, FORLOINES-LYNN S, CROSS R E, HEIZER W D (1986). Chromium deficiency after long-term parenteral nutrition. Dig Dis Sci. 39:661-64
3. FREUND H, ATAMIAN S, FISCHER J E P (1979) Chromium deficiency during total parenteral nutrition. J. Am. Med. Assoc. 241:496-498.
4. HUA Y; CLARK S; REN J; SREEJAYAN N. (2012) Molecular mechanisms of chromium in alleviating insulin resistance. Journal of Nutritional Biochemistry 23:313-319.
5. ANDERSON, R. A. (1989) Essentiality of chromium in humans. Sci. Total Environ. 86:75–81.
6. CALIXTO-LIMA L, REIS NT (2014). Interpretação de exames laboratoriais aplicados à nutrição clínica. 1ª ed. Rio de Janeiro: Ed. Rubio Ltda. 490p.
7. VINCENT J B, STALLINGS D. (2007) The Nutritional Biochemistry of Chromium (III). Elsevier, Amsterdam. 956p.
8. COZZOLINO SMF (2009). Biodisponibilidade de nutrientes. 3ed. São Paulo: Ed. Manole. 1772p.
9. (IOM) INSTITUTE OF MEDICINE (1980). National Research Council, Recommended Dietary Allowances, 9th Ed. Report of the Committee on Dietary Allowances, Division of Biological Sciences, Assembly of Life Science, Food and Nutrition Board, Commission on Life Science, National Research Council , National Academy Press, Washington, D.C.
10. BRATAKOS M S, LAZOS E S, BRATAKOS SM (2002). Chromium content of selected Greek foods. The Science of the Total Environment 290: 47–58
11. GUÉRIN T, CHEKRI R, VASTEL C, SIROT V, VOLATIER J, LEBLANC J, NOËL L (2011). Determination of 20 trace elements in fish and other seafood from the French market. Food Chemistry 127: 934–942
12. LENDINEZ E, LORENZO M L, CABRERA C, LOPEZ M.C (2001). Chromium in basic foods of the Spanish diet: seafood, cereals, vegetables, olive oils and dairy products. The Science of the Total Environment 278:183-189.
13. SYKUŁA-ZAJĄC A, PAWLAK A (2012). Chromium in food prod. Biotechnol Food Sci, 76 (1), 27-34.
14. THOR M Y, HARNACK L, KING D, JASTHI B, PETTIT J (2011). Evaluation of the comprehensiveness and reliability of the chromium composition of foods in the literature. Journal of Food Composition and Analysis 24:1147–1152.
15. SILVA LFM (2010). Avaliação de produtos alimentares comercializados para fins especiais. [dissertação]. Campos dos Goytacazes (RJ) Universidade Estadual do Norte Fluminense.
16. SILVA, LFM (2014). Teor de cromo em alimentos e ingestão dietética de cromo por atletas de basquetebol. [Tese]. Campos dos Goytacazes (RJ) Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro. 72p.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Coluna Nutrição - Afinal, comer ou não alimentos com glúten?




Afinal, comer ou não alimentos com glúten? 

Luiz Fernando Miranda da Silva
Karla Silva Ferreira

Aquele indivíduo com diarreia aguda acompanhada de dor e desconforto abdominal após comer alimentos contendo centeio, trigo ou cevada, pode apresentar reação autoimune ao glúten, denominada doença celíaca1, ou terem a síndrome Não Celíaco Sensível ao Glúten (NCGS), transtorno proposto em 2012 na Alemanha, na Segunda Reunião entre Especialistas em Sensibilidade ao Glúten (2,3).

Embora não se tenha estimativa concisa sobre o número de habitantes NCGS, acredita-se que seja maior do que os acometidos pela doença celíaca (1%). Nos EUA, a doença celíaca afeta 1,13% da população (1) e, no Brasil, dependendo da região, afeta entre 0,5% e 1,9% da população (4). Pessoas com pais ou avós doentes celíacos possuem maior chance de ter a doença, sem que necessariamente, apresente sintomas de sensibilidade (5).

O glúten está presente em quase todos os alimentos derivados de grãos de trigo, aveia, centeio e cevada, como pão, massas, biscoitos, bolos e torradas. O grão do trigo, assim como os demais cereais citados, contém no endosperma (tecido de reserva de nutrientes) o complexo de proteína chamada glúten (6) formado por duas proteínas: a gliadina e glutenina (Fig 1 e 2).  Quando misturado à água, o glúten forma uma massa viscosa e elástica capaz de aprisionar o gás carbônico produzido durante a fermentação, conferindo a textura e aparência característica do pão e bolos de trigo. Existem produtos não derivados dos cereais citados acima que possuem glúten como aditivo alimentar que lhe confere propriedade coesão-adesão (7) (ex.: cárneos triturados e do tipo surimi para produção de kani (7) e até em temperos (8)).




Quando ingerido, algumas frações peptídicas da gliadina oriundas da digestão parcial do glutén são reconhecidas pelas células linfocíticas T CD4+ desencadeando resposta inflamatória autoimune, causando em médio e longo prazo dano ao tecido intestinal, achatamento da mucosa e queda na capacidade da mesma em absorver nutrientes, resultando em diarreia, dor abdominal, produção excessiva de gases, anemia, osteoporose, baixo crescimento e, ou desnutrição (1,3,12).

O diagnóstico da doença deve ser feito por médicos e não é simples, uma vez que os sintomas se confundem com outras doenças inflamatórias intestinais (1). Portanto, é preciso investigar o estado nutricional do paciente, principalmente bioquímico (ferro, vitamina B12 é ácido fólico) (12), sobretudo a presença de anticorpos antigliadina, antiendomísio e antitransglutaminase nas secreções intestinais (5). Ainda assim, a biopsia intestinal antes e após a retirada do glúten na dieta é definitivo (5,1).

Recomenda-se aos pacientes sensíveis ou alérgicos ou glúten a  isenção do mesmo da dieta, mas isto pode ser difícil, uma vez que os produtos à base de cerais estão presentes em diversos alimentos preparados. Alguns doentes em tratamento abandonam a dieta (30%) (13) podendo não apresentar sintomas significativos, ao passo que outros são mais sensíveis e podem ter reação aguda mesmo ingerindo pequena quantidade de alimentos com glúten. Ou seja, o grau de tolerância varia entre estes doentes.  Desta forma, o ideal é a isenção de glúten dietético e promover a vigilância do que ingere, por exemplo, lendo os rótulos nutricionais na secção “ingredientes”.

Na figura 3 é apresentado um rótulo nutricional referente a um bolo. Observe que, além da informação nutricional, são apresentados os ingredientes utilizados em sua fabricação seguidos da frase “Contém glúten”. Nota-se que o produto contém farinha de trigo e, por sua vez, o glúten. Segundo a Lei Federal no 10.674, todos os fabricantes da indústria alimentícia devem escrever nas embalagens de todos os alimentos industrializados se o alimento contém ou não o glúten (5).



Trigo, cevada, centeio e aveia são as principais fontes de glúten (12), e cada glúten possui complexo de proteína peculiar. No trigo está presente a gliadina, na cevada a hordeína (14), e no centeio a secalina (15). O efeito tóxico causado por estas prolaminas está associado à gliadina e hordeína. Sobre a secalina há poucas evidências (15) e sobre a avenina há evidências de que quantidade limitada não é prejudicial aos doentes sensíveis ao glúten. Para verificar o efeito dietético da avenina, pesquisadores finlandeses mostraram que a ingestão diária de 49 g de aveia não provocou efeito adverso na mucosa intestinal em doentes celíacos diagnosticados (16), e, em 2014, a Associação Celíaca Canadense se posicionou a favor do consumo diário de até 70 g de aveia como seguro aos doentes celíacos (17). No Brasil, ainda não existe parecer semelhante.

Está na moda a dieta sem glúten e a recomendação para a restrição do consumo vinha sendo adotada de forma indiscriminada, o que levou o Conselho Regional de Nutricionistas (CRN-3) a promover um encontro científico para a discussão do tema no Brasil. Neste encontro ficou acordado que a eliminação do glúten da dieta só deve acontecer mediante diagnóstico clínico confirmado de doença celíaca, de dermatite herpetiforme, de alergia ao glúten, ou quando, eliminada a hipótese de doença celíaca, haja diagnóstico clínico confirmado por médicos de sensibilidade ao glúten (intolerância ao glúten–não celíaca ou NCGS).

Embora a dieta sem glúten contribua para o emagrecimento, uma vez que há menor ingestão de alimentos ricos em carboidratos tornando mais fácil o alcance do déficit energético, e, portanto, a perda de gordura corporal, a prática não é recomendada para este fim pelo risco de prejuízos à saúde, como perda de músculos e deficiência nutricional.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. DAN L, et al. Medicina interna. 18ª edição. Porto Alegre. Artmed. 2013, 3416p.
2. CZAJA-BULSA G. Non coeliac gluten sensitivity e A new disease with gluten intolerance. Clinical Nutrition xxx. 2014, 1: 1-6
3. CATASSI C, BAI JC, BONAZ B, BOUMA G, CALABR_O A, CARROCCIO A, et al. Non-celiac gluten sensitivity: the new frontier of gluten related disorders. Nutrients 2013; 5:3839 - 53.
4. MOURA, ACA et al. Triagem sorológica Pará Doença celíaca em adolescentes e Adultos Jovens, Estudantes Universitários . Rev. Bras. Mater Saude. Infant. 2012, 12(2):121-126.
5. _____. Presidência da República. Lei 10.674, de 16 de maio de 2003. Obriga a que os produtos alimentícios comercializados informem sobre a presença de glúten, como medida preventiva e de controle da doença celíaca. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis /2003/l10.674.htm. Acesso em: 04 jan. 2014.
6. EMBRAPA. Composição proteica dos grãos. Disponível em <http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/34981/1/Rodrigues-1.pdf>. Data de acesso: 8 jan. 2015.
7. DAMODARAN S, PARKIN KL, FENNEMA OR. Química de alimentos de Fennema. 4ª edição. Porto Alegre/RS. Artmed. 2010.
8. BRASIL. Sala de Imprensa . Anvisa alerta celíacos sobre alimentos com problemas de rotulagem. Disponível em: < http://s.anvisa.gov.br/wps/s/r/etS>. Data de acesso 07 jan. 2015.
9. MUNDO SIMPLES. Imagem do trigo. Disponível em <http://www.mundosimples.com.br /gifs/grao-de-trigo.jpg>. Data de acesso: 08 jan. 2015.
10. FOLD. Produtos. Disponível em <http://www.fold.pt/wp-content/uploads/2013/05/erva-trigo4.jpg>. Data de acesso: 07 jan. 2015.
11. FASANO A. Zonulin and Its Regulation of Intestinal Barrier Function: The Biological Door to Inflammation, Autoimmunity, and Cancer. Physiol Rev. 2011, 1:91.
12. SHILS M E, SHIKE M, ROSS A C, CABALLERO B, COUSINS R J. Nutrição Moderna na Saúde e na Doença. 10ª ed. Rio de Janeiro. Manole. 2006, 222p.
13. SDEPANIAN VL, MORAIS MB, FAGUNDES-NETO U. DOENÇA CELÍACA: avaliação da obediência à dieta isenta de glúten e do conhecimento da doença pelos pacientes cadastrados na Associação dos Celíacos do Brasil ACELBRA). Arq Gastroenterol , 2001. 38 (4): 232-239.
14. ECHART-ALMEIDA C, CAVALLI-MOLINA S. Hordein polypeptide patterns in relation to malting quality in Brazilian barley varieties. Pesq. agropec. bras. 2001, 36 (2):211-217.
15. STENMAN SM, et al. Degradation of coeliac disease-inducing rye secalin by germinating cereal enzymes: diminishing toxic effects in intestinal epithelial cell. Clinical and Experimental Immunology. 2010, 161: 242-249.
16. JANATUINEN EK et al. A comparison of diets with and without oats in adults with celiac disease. the new england journal of medicine. 1995, 333(16):1033-1037.
17. CANADIAN CELIAC ASSOCIATION. Professional Advisory Board Canadian Celiac Association. Declaração de Posição sobre Oats. 2014. Disponível em < http://www.celiac.ca/?page_id=858>. Data de acesso: 08 jan. 2015
18. CONSELHO REGIONAL DOS NUTRICIONISTAS. Parecer CRN-3 restrição ao consumo de glúten. Disponível em <http://crn5.org.br/wp-content/uploads/2013/05/02_23.08.12-PARECER_CRN3_GLUTEN.pdf>. 2014. Data de acesso: 10 jan. 2015.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Coluna Nutrição: Carboidratos — um grupo de nutrientes com diferentes comportamentos no organismo




Carboidratos - um grupo de nutrientes com diferentes comportamentos no organismo

     
Karla Silva Ferreira, Luiz Fernando Miranda da Silva e Maicon Martins Teixeira

Os carboidratos fazem parte de um grupo de compostos que têm em comum o fato de possuírem uma molécula de água para cada átomo de carbono. Daí a denominação de hidrato de carbono, carbono hidratado ou carboidrato. Os carboidratos mais simples possuem de três a seis átomos de carbono.

A glicose, frutose e galactose possuem seis átomos de carbono e são as unidades básicas dos principais carboidratos da alimentação. Elas se ligam entre si ou umas com as outras para formar a sacarose, lactose, amido, as fibras alimentares dentre outros carboidratos, cada um com características distintas, tais como: intensidade do gosto doce, solubilidade em água, capacidade de serem digeridos, absorvidos e forma como é metabolizado pelo organismo.

Figura 1. Exemplo de alimentos ricos em carboidratos. Fonte: Benvenutri.blogspot.com


A glicose, frutose, galactose e seus derivados, sacarose, lactose e maltose possuem gosto doce e são, coletivamente, denominados de açúcares. Já os carboidratos formados por mais de vinte unidades de glicose, frutose, derivados da galactose ou mistura destes carboidratos, podem ser digeríveis ou não digeríveis e são, coletivamente, denominados polissacarídeos. Os principais polissacarídeos digeríveis são a amilose, a amilopectina e a maltodextrina.  Os principais não digeríveis são a celulose, a pectina, os frutoligossacarídeos e a hemiceluilose. Os carboidratos não digeríveis constituem as fibras alimentares.

Figura 2. Alimentos que contêm carboidratos digeríveis e fibras. Fonte: Benvenutri.blogspot.com


Os carboidratos absorvidos podem fornecer energia, participar na eliminação de substâncias tóxicas ou serem transformados em proteínas, gorduras, colesterol e outras substâncias importantes para o organismo.  A quantidade de carboidratos no corpo dos animais é bem limitada porque a capacidade dos animais para armazenar carboidratos é muito restrita. Em um adulto bem alimentado a quantidade de carboidrato armazenada fica entre 300 e 500 gramas, o que não equivale nem a 1% do peso corporal. Após uma refeição rica em carboidrato, com quantidade que ultrapassa a necessidade momentânea de energia e de síntese de substâncias essenciais, todo o excedente é transformado em gordura que vai sendo armazenada no tecido adiposo. Como resultado, a pessoa engorda, podendo também ter os níveis sanguíneos de triglicerídeos e lipoproteínas de baixa densidade elevadas (Ex. LDL).

Entretanto, uma alimentação sem carboidrato não é saudável, além de ser muito difícil de ser seguida. Poucos alimentos não contêm carboidratos ou os contêm em quantidades desprezíveis. São apenas alguns do reino animal, como as carnes, ovos, manteiga, determinados queijos e os óleos. Todos os alimentos de origem vegetal, além do mel, do leite, iogurtes e outros laticínios, possuem algum tipo de carboidrato.



A recomendação da Organização Mundial de Saúde é que a quantidade de carboidrato na alimentação deve ser tal que forneça, diariamente, 60% ou mais da quantidade de energia necessária para o indivíduo saudável. Quanto maior a ingestão energética, maior deve ser a porcentagem de carboidrato na dieta. Por exemplo, em uma dieta de 2000 Kcal/dia, 1200 Kcal deve ser proveniente de carboidrato, o que corresponde a 300 gramas de carboidrato.

A partir do ano de 2000, foram intensificados os estudos relacionados com a ingestão de tipos específicos de carboidratos. Com base nos resultados destes estudos, em 2007, a Organização Mundial de Saúde solicitou que seja dada ênfase às fontes alimentares de carboidratos mais saudáveis, tais como os que possuem menor quantidade de açúcares, maior quantidade de fibra e que sejam mais nutritivas.

Neste sentido, os melhores alimentos são as hortaliças, frutas, leguminosas e cereais integrais. Estes alimentos possuem combinação de carboidratos digeríveis e não digeríveis, além de possuírem outros nutrientes e substâncias benéficas para a saúde. Além disso, há estudos apontando que a porcentagem de carboidratos na dieta poderia ser reduzida para em torno de 50%.

Nas tabelas 1 a 3  são apresentados os teores de carboidratos, fibras e o valor energético de alguns alimentos.







Referências bibliográficas:

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3. Nishida, C;   Nocito, FM. -  FAO/WHO Scientific Update on carbohydrates in human nutrition: introduction - European Journal of Clinical Nutrition, 2007. V.1, p. 1-4.  doi:10.1038/sj.ejcn.1602935.
4. Mann, J. - Dietary carbohydrate: relationship to cardiovascular disease and disorders of carbohydrate metabolism - European Journal of Clinical Nutrition, 2007. V.1, p. 100–111.
5. Mann, J; Cummings, JH; Englyst, HN; Key, T;  Liu, S; Riccardi, R; Summerbell, C; Uauy, R; Dam, RMV;  Venn, B; Vorster, HH; and Wiseman, M. - FAO/WHO Scientific Update on carbohydrates in human nutrition: conclusions - European Journal of Clinical Nutrition, 2007. V.1, p. 132-137.
6. Schwingshackl, L; and Hoffmann, G. – Long term effects of low fat diets either low or high in protein on cardiovascular and metabolic risk factors: a systematic review and metaanalysis - Nutrition Journal, 2013. V.12, p. 48.
7. Maughan, R. - Carbohydrate metabolism – Basic Science, 2013. V.1, p. 273-277.
8. Thibault, L. - Paradoxical effects of a high sucrose diet or effects of nutritional inadequacy? -  Appetite, 2003. V.41, p. 103.
9. John, SW. - Challenging the Fructose Hypothesis: New Perspectives on Fructose Consumption and Metabolism - American Society for Nutrition, 2013. V. 4, p. 246-256.
10. Kimber, L; Stanhope; Schwarz, JM; Nancy, L; Keim; Griffen, SC;  Bremer, AA; James, L; Graham; Hatcher, B; Cox, CL; Dyachenko, A; Zhang, W; McGahan, JP; Seibert, A; Krauss, RM; Chiu, S; Schaefer, EJ; Masumi ; Otokozawa, S; Nakajima, K; Nakano, T; Beysen, C; Hellerstein, MK; Berglund, L; and Havel, PJ. - Consuming fructose-sweetened, not glucose-sweetened, beverages increases visceral adiposity and lipids and decreases insulin sensitivity in overweight/obese humans - The Journal of Clinical Investigation, 2009. V.119, p. 1322-1334.
11. Agricultural Research Service United States Department of Agriculture -                          Disponível em : http://ndb.nal.usda.gov/ndb/foods. Acessado em: 26 de agosto de 2014.
12. Tabela Brasileira de Composição de Alimentos - TACO. (2011) Tabela Brasileira de Composição de Alimentos/UNICAMP: Disponível em http://www.unicamp.br/nepa/taco. Data de acesso: 20/02/2015.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Coluna Nutrição - Sal - marinho, comum e light



Sal — marinho, comum e light


Karla Silva Ferreira, 
Maicon Martins Teixeira 
e Luiz Fernando Miranda da Silva


O sal, cloreto de sódio, é um importante componente da alimentação, atuando em processos vitais do organismo além de ser utilizado para a conservação dos alimentos. Ele contém 39,3% de sódio e 60,7% de cloro quando completamente seco. O seu consumo máximo deve ser de 5g/dia (uma colher de café). Esta quantidade de cloreto de sódio é para que não seja ultrapassada a quantia máxima que deve ser ingerida de sódio, 2,4 g/dia. O consumo elevado de sódio contribui para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, hipertensão e aumenta a perda de cálcio, contribuindo assim para a osteoporose. Atente para que cada “sachê” disponível nos restaurantes tem 1g de sal.

O sal pode ser obtido de fontes minerais ou pela evaporação da água do mar. No Brasil ele é obtido pela evaporação da água do mar, sendo o Rio Grande do Norte o principal produtor, responsável por 95% de todo o sal produzido no Brasil. Outros estados produtores são: Bahia, Ceará, Maranhão, Sergipe e Rio de Janeiro.

De acordo com consulta realizada nas principais empresas do ramo do Brasil, a produção de sal a partir da evaporação da água do mar segue a seguintes etapas: bombeamento, concentração da água do mar, cristalização do cloreto de sódio, colheita, lavagem, refino, estocagem e embarque.

1) Bombeamento – A água do mar é bombeada para a área de evaporação.

2) Evaporação– A água do mar é exposta ao sol para evaporar a água e aumentar a concentração de sal até atingir o limite de saturação e estar pronta para ser transferida para os cristalizadores.

3) Cristalizadores – Nos cristalizadores, a evaporação da água da salmoura saturada faz com que haja precipitação dos cristais de sal. Esse processo leva em média seis meses. Quando praticamente toda a água foi evaporada, inicia-se a colheita do sal.

4) Colheita – O sal pode ser colhido mecanicamente ou manualmente.

5) Lavagem – O sal é lavado com salmoura saturada. A lavagem com salmoura saturada  retira algumas impurezas do sal, porém, no sal marinho, parte delas é retirada durante a moagem/refino. Em algumas salineiras é acrescentado um micro crustáceo que age como filtro biológico, absorvendo grande parte dos micro-organismos. No entanto, o que vier junto com os demais minerais naturais que há no sal marinho não irá representar risco à saúde, visto que é feito controle da água do processo da produção.

6) Refino – O processo de refino constitui uma moagem mais refinada. Nessa parte, o sal passa pelo processo de iodação e acréscimos de aditivos (antiumectantes) para prevenir que torne a absorver água do ambiente e empedre.

Todo sal destinado ao consumo humano precisa ser iodado. O Brasil, seguindo as normas internacionais, adota este procedimento para prevenir doenças causadas pela deficiência de iodo, como bócio e outras anomalias. O processo de iodação do sal é normatizado pelo Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o setor produtivo salineiro. De acordo com a RDC 23/2013, todo sal para consumo humano deve conter de 15 a 45 miligramas de iodo por quilograma de sal ou 15 a 45 microgramas em 1 grama de sal, que é a porção usual de sal informada nos rótulos nutricionais.

Durante o processo de refino, é produzido o sal light, com substituição de 50% do cloreto de sódio por cloreto de potássio. Sendo assim, o sal light tem 50% a menos de sódio que o sal comum. A adição do cloreto de potássio tem a vantagem de reduzir o teor de sódio na alimentação e aumentar o de potássio, o que é comprovadamente benéfico para o controle da hipertensão arterial. Entretanto, seu consumo não é indicado para pessoas que devem ter dieta com restrição de potássio, como os portadores de insuficiência renal crônica. Este sal tem um gosto ligeiramente amargo e algumas pessoas são mais sensíveis para perceberem este gosto que outras.

7) Estocagem/embarque – O sal vindo do refino é estocado e embalado, estando pronto para o consumo.




Fotos da salineira Norsal, disponível no site www.norsal.com.br

Há três tipos de cloreto de sódio encontrados no mercado: sal marinho, sal comum (refinado ou grosso para churrasco) e sal light. Conforme se pode observar nos rótulos nutricionais destes sais, todos apresentam 390 mg de sódio por 1 grama de sal, o que é condizente com a porcentagem de sódio no cloreto de sódio. A exceção é o sal light, que contém a metade do teor de sódio que os demais.

Além do sal light, foi recentemente colocado no mercado e aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária o sal sem sódio, que é composto por cloreto de potássio, realçador de sabor ácido glutâmico, iodo e antiumectantes. Segundo as informações dos fabricantes, se usado no preparo dos alimentos em temperaturas abaixo de 180ºC não apresenta gosto amargo.

Quanto ao teor de iodo, todos seguem a legislação, contendo iodo dentro da faixa preconizada pela legislação.

O sal marinho, por não passar pelo processo de lavagem conforme os outros, pode conter traços de alguns minerais importantes para a saúde. Entretanto, conforme se pode observar, não há no rótulo nutricional deste sal informação sobre os teores de outros minerais além do sódio e iodo. Isso provavelmente porque as quantias presentes são insignificantes do ponto de vista nutricional.

Segundo o Ministério da Saúde, as empresas só podem colocar nos rótulos dos alimentos as vitaminas e minerais quando essa quantia é superior a 5% da ingestão diária recomendada. Isso para que não haja abuso por parte das empresas em relatar presença de nutrientes cujas quantidades são insignificantes do ponto de vista nutricional e para que o consumidor não seja enganado pensando que está consumindo alimento nutritivo que na verdade não é.

Sal light

Sal marinho

Sal refinado comum

Sal grosso




Referências
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4.       Carvalho, L. Novo sal sem sódio é opção para hipertensos brasileiros. Notícias. Rev. Exame, 2014. Disponível em <http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/noticias/novo-sal-sem-sodio-e-alternativa-para-hipertensos>. Data de acesso: 16/11/2014.

5.       Brasil. Ministério da Saúde. Disponível em <http://www.dab.saude.gov.br>. Acessado dia 16/11/2014.

6.       NORSAL. Produtos. Disponível em: <http://www.norsal.com.br>. Data de acesso: 17/10/2014.

7.       PRATIQUE NATURAL. Principal. DaSALbor - O Primeiro Salgante totalmente isento de Sódio. Disponível em: <http://pratiquenatural.com.br/dasalbor-o-primeiro-salgante-totalmente-isento-de-sodio-sanibras.html?gclid=CPzqxuXMr8ICFWFp7AodNXMAXQ>. Data de acesso: 16/11/2014.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Coluna Infinitum - E por falar em cometas...




E por falar em cometas...

Adriana Oliveira Bernardes
Mestre em Ensino de Ciências – UENF

Cometa Lovejoy no céu, observável com binóculos e telescópios de pequeno porte e pouca gente tendo oportunidade de localizá-lo e observá-lo... é uma pena!

Em relação a esta questão, é bom lembrarmos a importância dos clubes e grupos de Astronomia que se dedicam à divulgação do tema e da importância de suas ações junto ao público em geral. O trabalho realizado por tais grupos normalmente aborda a divulgação de eventos astronômicos, falando sempre de temas instigantes, além de propiciar a observação de tais fenômenos pelo público.

Acabo deixando aqui minha crítica à falta de apoio a tais grupos após o Ano Internacional da Astronomia em 2009, quando a maioria recebeu materiais e maiores condições para realizar suas atividades, tendo inclusive alguns projetos financiados. Sentimos falta de um maior apoio ao trabalho realizado por tais entidades.

Suas ações, que podem ser consideradas parte da educação não-formal — pois realizam atividades periódicas estruturadas e com fins educativos —, são importantes para a divulgação científica no país. Além disso, podem atuar em cidades de pequeno e médio porte que não necessariamente contam com instituições tais como museus, planetários e observatórios, que, por sua vez, comumente existem em cidades de grande porte no Brasil.

Mas vamos falar dos cometas!? Sem dúvida, a maioria das pessoas com mais de trinta anos ouviu falar, e muito, do cometa de Halley, que passou em 1986 e que poucas pessoas viram, mas que, porém, foi divulgado amplamente junto à mídia, principalmente no sentido de relembrar o pavor que provocou quando passou no início do século XX.

Mas o que é um cometa? Cometas são considerados corpos menores do sistema solar e seus núcleos são formados por gelo, poeira e fragmentos de rochas, possuindo desde poucos metros até dezenas de quilômetros. Quando se aproximam do Sol, a ação dos raios solares sobre o gelo dá origem a uma atmosfera chamada coma ou cabeleira, que os diferenciam dos asteroides, por exemplo. Além desta coma, é comum surgirem uma ou duas caudas.

Em relação a seu período, os cometas podem ser classificados em: de curto período, quando se aproximam do Sol em intervalos de tempo menores que 200 anos; e de longo período, quando esse tempo ultrapassa os 200 anos. Alguns cometas possuem aparições únicas, cujas trajetórias são parabólicas ou hiperbólicas, não retornando mais no interior do Sistema Solar.

O cometa de Halley tem período de 76 anos e é famoso por ter assustado muitas pessoas no início do século XX. Ao contrário dele, o Lovejoy tem um período de mais de 10 mil anos. Isso quer dizer que, quando ele passar aqui novamente, possivelmente não haverá vestígio de nossa civilização. Interessante, não?

As pessoas interessadas em Astronomia sem dúvida já ouviram falar na missão Rosetta, da Agência Espacial Européia, que teve por finalidade pousar num cometa chamado  67P/Churyumov-Gerasimenko, tendo se tornado a pioneira neste caso.

A sonda foi lançada em 2004 pelo foguete Ariane 5 e é composta de dois componentes: a sonda Espacial Rosetta e o pousador Philae. Sem dúvida, suas descobertas mudaram nossa maneira de entender tais corpos e contribuirão não só em relação a nossa visão do sistema solar como do universo como um todo.

Imagem da ESA, detalhes do cometa  67P/Churyumov-Gerasimenko


Sugestões de Leitura:
Rosetta: encontro com um cometa (em inglês):
http://rosetta.esa.int
Missão Rosetta:
 http://rosetta.jpl.nasa.gov/

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Coluna Infinitum - O modelo de Filolau




O Modelo de Filolau

Adriana Oliveira Bernardes
Mestre em Ensino de Ciências - UENF

Após a contribuição da Escola Jônica — na qual se destacaram filósofos como Tales, Anaximandro, Anaxímenes e Heráclito — surgiram também os filósofos pitagóricos. Nesta Escola, destacaram-se os filósofos Pitágoras, Filolau, Arquitas, entre outros.

A Escola Jônica surgiu em Mileto, cidade da Jônia, e a Escola Pitagórica, em Crotona, cidade da Magna Grécia — que mais tarde viria a se tornar a Itália.

No mapa abaixo, observamos o mapa da Grécia Antiga, formada por várias cidades-estados. A organização política dessas cidades e o comércio intenso na região — o que provocava também a troca de ideias — certamente contribuiu  para o surgimento da Filosofia.

Mapa da Grécia Antiga

É bom relembrarmos, que os jônicos acreditavam que os fenômenos terrestres surgiam a partir de elementos primordiais, tais como: o fogo, a água, o ar e a terra. Tales, que ficou conhecido como o primeiro filósofo, acreditava que a água era o elemento fundamental, dando origem a todos os outros. Já Anaximandro trouxe como contribuição o apéiron, discutindo a ideia do ilimitado, algo não definido, que seria a semente do quente e frio, ou seja, de opostos. E Anaxímenes adotava como princípio fundamental o ar, a partir do qual todas as coisas eram criadas.

Podemos observar que as ideias dos filósofos diferiam uma das outras  e eram diversificadas, sendo que as discussões destas ideias eram estimuladas. As diferenças entre as ideias de jônicos e pitagóricos eram significativas, pois enquanto os primeiros acreditavam que os elementos ar, fogo, terra e água eram responsáveis pelos fenômenos observados no universo, os pitagóricos acreditavam que havia algo que vinha antes destes elementos  e que agia sobre eles — “a alma”, aqui compreendida com um sentido diferente daquele hoje existente.

Na figura abaixo, o símbolo dos pitagóricos:

Símbolo dos pitagóricos

Os pitagóricos, além de introduzir a Matemática na ciência, influenciaram os modelos cosmológicos que surgiram depois. Um dos modelos elaborados pelos pitagóricos, o modelo de Filolau, chama atenção. Filolau, chamado Filolau de Crotona, cidade da antiga Grécia, especificamente da Magna Grécia, nasceu no século V a.C e se destacou entre os pitagóricos pelo modelo cosmológico que elaborou.

Filolau de Crotona, discípulo de Tales

Filolau elaborou um modelo no qual o centro do universo era o fogo central, chamado Héstia. Ao redor dele, giravam a Contra-Terra, a Terra e os planetas conhecidos na época, além do Sol e da Lua.
Existia, segundo ele, a Terra e a Contra-Terra, o que fazia com que o fogo central não pudesse ser visto pelos seres humanos.  A ordem dos planetas ao redor do fogo central era: Contra-Terra, Terra, Lua, Sol, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno, havendo uma esfera na qual localizavam-se as estrelas fixas.

No modelo de Filolau, a Terra era esférica e não estava no centro do universo. Esta ideia foi retomada muito tempo depois por Copérnico, que também não tinha a Terra no ponto central do universo e sim o Sol.

Na figura abaixo, o modelo cosmológico de Filolau:



O modelo cosmológico de Filolau foi o mais importante da Escola Pitagórica, influenciando outros modelos que viriam depois, como o de Eudoxo de Cnido, que elaborou o modelo cosmológico das esferas homocíclicas.

Sugestão de leitura:
A Ciência Grega
www.disciplinas.stoa.usp.br/mod/resource/view.php?id=88260

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Prêmio em Fruticultura

Doutora formada pela UENF ganha prêmio por pesquisa que tem por objetivo controlar o avanço de virose que afeta a produção de maracujá

Um das maiores limitações para a produção de maracujá no país é a chamada “virose do endurecimento dos frutos”, causada pelo CABMV (Cowpea aphid-borne mosaic vírus). Com um trabalho de pesquisa voltado para a obtenção de genótipos resistentes à doença, a doutora em Genética e Melhoramento de Plantas pela UENF Eileen Azevedo Santos foi a vencedora do Prêmio Jovem Cientista em Fruticultura 2014, na categoria “Doutor”.

Intitulado “Resistência ao Cowpea aphid-borne mosaic virus em espécies e híbridos de Passiflora”, o trabalho é uma parte da tese de doutorado de Eileen, que teve a orientação do professor Alexandre Pio Viana, do Laboratório de Melhoramento Genético Vegetal (LMGV) da UENF. A pesquisa de doutorado deu início ao programa de melhoramento do maracujazeiro-azedo, a partir do cruzamento das espécies P.edulis e P.setacea.

— A obtenção de variedades de maracujazeiro-azedo resistentes à virose do endurecimento dos frutos é um objetivo que pretendemos alcançar a médio prazo — afirma.

Relatada pela primeira vez no Brasil no final de década de 1970, a virose do CABMV tem acarretado graves prejuízos aos produtores de maracujá do país, como redução da produção, da área cultivada e da longevidade do pomar. As plantas acometidas pela virose apresentam mosaico foliar (manchas nas folhas), frutos com pericarpo (parte do fruto entre a casca e as sementes) endurecido e grande redução da polpa. 

Eileen ao lado do seu orientador, professor Alexandre Pio
— As medidas de controle até o momento não foram efetivas o suficiente para controlar ou erradicar a doença dos pomares comerciais. Como não há controle químico, a obtenção de fontes de resistência genética tem sido prioridade nos programas de melhoramento do maracujazeiro-azedo no Brasil — diz Eileen.

Em sua pesquisa, ela confirmou a existência do CABMV em Campos dos Goytacazes (RJ) e avaliou a resistência ao vírus em 178 genótipos de maracujá constituídos por híbridos interespecíficos e seus genitores (P.edulis e P.setacea). Ela também estimou parâmetros genéticos visando à obtenção futura de cultivares de maracujazeiro-azedo resistentes ao vírus. 

— A pesquisa nos permite concluir que as plantas híbridas consideradas resistentes poderão ser selecionadas e recombinadas com os genótipos de P. edulis e, novamente, avaliadas para a confirmação da resistência ao CABMV, dando continuidade ao programa de melhoramento visando à resistência a este vírus. Os resultados obtidos com esse trabalho avançam para um possível controle do CABMV (via resistência genética) na cultura do maracujazeiro no Brasil — conclui Eileen.

Fúlvia D'Alessandri