A Teoria do Big Bang
Adriana Bernardes
adrianaobernardes@uol.com.br
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Teorias cosmológicas existem desde muito tempo, pois o homem sempre tentou criar uma teoria a respeito do mundo em que vivia. As cosmologias indiana, egípcia, entre outras, tentaram explicar o mundo a partir de observações do dia a dia, porém sem muito sucesso. Nesta época, a cosmologia ainda não se constituía em ciência, como é hoje.
Grandes contribuições foram dadas pelos gregos, ainda que não estivessem corretos. Foi o momento em que, pela primeira vez, a cosmologia se aproximou da ciência. Na Antiguidade, a Teoria Geocêntrica, proposta por Aristóteles, creditada por Hiparco e embasada anos mais tarde por Ptolomeu, afirmava ser a Terra o centro do universo.
Neste momento, acreditava-se que existia apenas a Terra, o Sol e os planetas no universo. Essas idéias surgiram a partir da observação cotidiana dos fenômenos celestes. Na época não acreditavam que a Terra se movia — coisa que o senso comum nos leva a crer.
Mais tarde surgiu a Teoria Heliocêntrica, que foi pensada desde a antiguidade por Aristarco de Samos e voltou com força com as idéias de Nicolau Copérnico. Nesta teoria, nosso modesto Sol constituía-se no centro do universo e todos os planetas giravam a seu redor. Esta teoria recebeu grandes contribuições de Galileu, Kepler e Newton, entre os anos de 1600 e 1700.
A teoria que predominou no século XX, o modelo do Big Bang — a teoria cosmológica conhecida pela maioria das pessoas —, afirma que o universo surgiu a partir de uma singularidade inicial. A propósito, esta singularidade seria um momento do universo em que este possuiria uma condensação máxima de matéria. Esta singularidade era o próprio universo.
Esta teoria se fortaleceu nos anos 40, sendo o maior responsável por isso o físico russo Georg Gamow (1904-1960), nascido na Ucrânia. Gamow era contemporâneo de outro grande físico da época, Alexander Friedmann (1888-1925), que havia criado um modelo de universo em expansão. Gamow foi o responsável por inserir leis físicas na teoria de Friedmann.
A ideia de início do universo foi lançada em 1931 pelo abade e astrônomo belga Georges Lemaitre (1894-1966). O universo teria tido início então, segundo ele, a partir de um “ovo” primordial.
A teoria do Big Bang afirma que o universo surgiu a partir de uma grande explosão. Este nome foi dado, de forma irônica, por Fred Hoyle (1915-2001) em 1950.
Na foto abaixo, um dos experimentos do acelerador de partículas do CERN (Centro Europeu de Pesquisas Nucleares), o maior já construído, capaz de recriar as condições iniciais do universo.
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Atlas, experimento do maior acelerador de partículas já construído (Foto obtida do site da Nasa) |
Mais tarde surgiram no cenário científico dois físicos americanos que deram contribuições importantes, mas ainda sem constatação observacional: Ralph Alpher (1921-2007) e Hans Bethe (1906-2005). Este era alemão, naturalizado americano.
Eles criaram a teoria da expansão do universo a partir de uma singularidade inicial. Segundo a teoria de Alpher e Bethe, haveria uma radiação oriunda deste momento, que seria detectável em microondas.
Em 1964, outros dois cientistas também americanos, Arno Allan Penzias (1933-) e Robert Woodrow Wilson (1936-), obtiveram a comprovação observacional das idéias de Alpher e Hans. Eles eram radioastronomos e detectaram através de uma antena um ruído, ou seja, um sinal não esperado, contínuo, que não deveria existir. Este ruído foi relacionado a resquícios da explosão, ou seja, do Big Bang.
Dois fatores contribuíram para o desenvolvimento desta teoria: a descoberta de Edwin Hubble (1889-1953) sobre o universo em expansão e a radiação de fundo, que deu o prêmio Nobel a Penzias e Wilson em 1965.
A propósito, Hubble, o cientista, trabalhando no telescópio de Monte Wilson, deu grandes contribuições à cosmologia moderna: descobriu que a Via-láctea não era a única galáxia existente, e que as galáxias se afastavam continuamente umas das outras. Esta é uma das principais evidências do Big Bang.
O modelo cosmológico do Big Bang é chamado singular, porém existem modelos cosmológicos que se opõem a ele e são chamados não-singulares. Nestes modelos o universo não surgiu de uma singularidade inicial, região de máxima condensação de matéria. (Lembrando que a condensação máxima de matéria teria existido pelo fato de o volume, naquele momento, ser igual zero; logo a densidade de matéria tenderia ao infinito).
Em 1980, Alan Guth (1947-), físico e cosmologista americano, professor do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), sugeriu que teria ocorrido uma espécie de inflação no início do universo. Ele haveria crescido 1030 , ou seja, 1 seguido de trinta zeros, após 10-36s, velocidade maior que a da luz. É bom observar que era o universo que crescia à velocidade maior que a da luz e não um corpo que se deslocava com velocidade maior que a da luz.
Podemos dizer que o ponto forte da teoria do Big Bang, que a tornou tão popular, é o fato de a mesma permitir a existência de um momento da criação, fato que, sem dúvida, seduziu a opinião pública e também a comunidade científica.
Porém a teoria do Big Bang começou a perder a hegemonia a partir dos anos 90. Dos anos 70 ao ano 2000, a teoria do Big Bang foi a dominante, e a imprensa tornou esta teoria de domínio popular. Porém, estamos vivemos uma época de mudança de paradigma, ou seja, uma mudança de modelo.
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Mário Novello, cosmologista do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) |
SUGESTÃO DE VÍDEO:
Neste vídeo o professor Mário Novello fala sobre a teoria do Universo Eterno:
http://youtu.be/vuYz_k5LCw4
SUGESTÃO DE LIVRO:
Do Big Bang ao Universo Eterno
Mário Novello
Editora Zahar
(Data de publicação: 21/03/2012)
bom eu acho a teoria do big beng realmente facinante eu ate´estou fazendo um documentario no computador
ResponderExcluirranyelle 11 anos são paulo sp