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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Saguis fora de lugar


Sagui da espécie Callithrix jacchus: bonitinho, mas perigoso.
Você recebe um sagui de presente e, com pena do bichinho, solta na mata mais próxima pensando estar prestando um serviço à natureza. Errado: em vez de ajudar o ambiente, você pode estar prejudicando a preservação do mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), ameaçado de extinção.

É o que mostram estudos desenvolvidos há mais de dez anos pela UENF em parceria com a Associação Mico-Leão-Dourado. O líder das pesquisas é o professor Carlos Ruiz-Miranda, do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA/UENF). Uma síntese de todos estes anos de pesquisa está em um artigo publicado pela revista Ciência Hoje de julho de 2011.

Os estudos, iniciados em 1998, têm como cenário a Área de Proteção Ambiental (APA) da bacia do rio São João, que abrange os municípios de Silva Jardim, Casimiro de Abreu e Rio Bonito. É lá que os saguis e os micos-leões-dourados ocorrem em maior concentração.

Segundo o pós-doutorando Márcio Marcelo de Morais Júnior, um dos coautores do artigo, a introdução clandestina de saguis das espécies Callithrix jacchus e Callithrix penicillata pode gerar competição com os micos-leões, além de introduzir doenças. A tese de doutorado de Márcio aborda este tema.

Clique aqui se você quiser saber mais sobre o assunto.

Mário Sérgio de Souza, Gustavo Smiderle

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Espaço para a divulgação científica


Espaço da Ciência (Foto: Éder Souza)
 A preservação das diversas espécies de animais é um dos objetivos dos biólogos. Mas o que fazer quando alguns deles são encontrados já sem vida? Uma visita ao Espaço da Ciência da UENF mostra que os animais podem ser úteis até depois de mortos. Ali, cerca de 200 animais empalhados — ou “taxidermizados”, como preferem os cientistas — ajudam a contar a própria história para estudantes, em sua maioria de ensino fundamental e médio.

— A maioria do acervo é composta por animais mortos devido a atropelamentos, ou ainda em virtude de maus tratos. O acervo exposto está autorizado pelo Ibama para exposição didática — diz o professor Ronaldo Novelli, do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) da UENF, que coordena o Espaço da Ciência. O local abriga ainda cerca de 500 animais conservados em formol, além de 2 mil animais marinhos coletados pelo próprio Novelli, que também é mergulhador.

Oito estagiários são os responsáveis por recepcionar os visitantes, que ficam sabendo tudo sobre a vida e os costumes dos animais, bem como sobre todo o processo de taxidermização. Eles também são os responsáveis pela reprodução dos filmes sobre a Natureza fluminense que são exibidos na sala de cinema da UENF.

— O objetivo do Espaço da Ciência é divulgar a ciência de forma lúdica e educativa. Futuramente, contaremos também com uma sala de cinema 3D — diz Novelli. Nos últimos dois anos — após mudança para o campus da UENF — o Espaço da Ciência já recebeu cerca de 5 mil visitantes, provenientes de várias escolas de ensino fundamental e médio de Campos e também de outras cidades do Norte e Noroeste Fluminense, como São Fidélis, Macaé e São João da Barra.

Reaberto em 2009, com o apoio da Reitoria da UENF e da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) — que investiu R$ 23 mil no projeto —, o Espaço da Ciência ocupa uma área de 300 m2 dentro do campus da UENF, próximo ao Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias (CCTA). De 1999 a 2004, o Espaço funcionou fora da UENF, em uma área na Avenida Alberto Lamego. Na época, registrou a presença de mais de 50 mil visitantes. As visitas, que devem ter no máximo 70 alunos por escola, devem ser marcadas previamente pelo telefone (22) 2739-7275, às segundas e terças-feiras, das 8h às 18h.


Éder Souza
Fúlvia D'Alessandri